Em junho de 2018, em Brasília, o XXXIV Sínodo Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) aprovou o casamento igualitário.
Logo em seguida, em reunião conciliar, a Diocese Meridional, foi a primeira Diocese da IEAB a aprovar o casamento igualitário.
E em meados do mês de julho, na Diocese Anglicana do Recife (DAR), também em reunião conciliar, foi acolhida a mudança canônica que permite a realização da cerimônia de pessoas do mesmo sexo.
No dia 22 de julho de 2018, na cidade de Recife, capital do estado de Pernambuco, a celebração do rito do Santo Matrimônio de Roberto Oliveira e Ivanildo dos Anjos. Sendo este o primeiro matrimônio de um casal homoafetivo na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), após a mudança canônica.
A celebração foi oficiada pelo Revdo. Eduardo Henrique, em meio a um clima de forte emoção e significado histórico. Esta cerimônia de casamento foi fruto de uma histórica luta da população LGBTTI no sentido da plena igualdade de seus direitos na Igreja de Cristo. Uma história que atravessa décadas em nossa Igreja, usada por vezes como argumento para cismas, como os acontecidos na DAR, mas que também foi marcada pelo progressivo estudo e reflexão sobre a sexualidade humana e que envolveu laicato e clero da Diocese. Dessa forma, de maneira madura e compromissada com o Reino de Deus, a IEAB dá um passo decisivo no sentido das políticas afirmativas de promoção da dignidade humana.
Revdo. Eduardo Henrique Alves.
Secretário de Educação Teológica na DAR-IEAB
- DIGAMOS SIM À DIVERSIDADE RELIGIOSA!
Nos dias 19 e 20 de junho, o Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa – CNRDR esteve reunido em Brasília/DF, para renovar o diagnóstico da realidade de intolerâncias e desrespeitos, e para planejar ações de sensibilização, articulação e promoção de respeito à diversidade religiosa, em tempos de recrudescimentos de violações de direitos humanos fundamentais, com destaque ao direito humano de ter ou não religião.
Ainda vivendo o gozo da recente sagração episcopal da Bispa Marinez Bassotto, da Diocese Anglicana da Amazônia, no último mês de abril; o final de maio foi marcado pelo encerramento de um importante ciclo de ações educativas sobre Gênero, Sexualidades e Direitos Humanos, promovido pelo Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD), com a realização da Confelíder Nacional, que reuniu lideranças de todas as nove dioceses e do distrito missionário da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).
(O dia 22 de maio é a data escolhida pela Organização das Nações Unidas – ONU, como Dia Mundial da Biodiversidade, para celebrar e chamar a atenção do mundo para a importância da diversidade biológica. E como sem água não há biodiversidade, trazemos o necessário relato da participação anglicana do Fórum Mundial das Águas 2018).
"Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E desagua na corrente do ribeirão ...” (Guilherme Arantes)
O Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) 2018, reuniu milhares de pessoas representantes de organizações e lideranças de projetos, que estão acontecendo no mundo inteiro. Foi um espaço de reflexões e decisões urgentes que precisam acontecer em cada lugar onde existe grupo de pessoas, seja na família, na escola, na igreja, na vizinhança, no bairro, nas instituições, nas cidades, nas universidades, nos países, nos continentes, no mundo. Água, direito não mercadoria, este é o foco das ações a partir deste importante evento.
O que vivenciamos em Brasília, na semana de 17 a 22 de março de 2018, em cada momento de relatos, painéis, testemunhos, registros, dados assustadores foram revelados, por coordenadores e líderes de projetos, que visam transformar a realidade de dominação das nascentes, aquíferos, rios, lagos, mares, e a partir dessas práticas, amenizar, organizar e conscientizar as populações que sofrem, ou aquelas, que ainda nem percebem ou vivem, as consequências da violência ao meio ambiente, exercida no uso indevido da água pelas grandes corporações.
Litania pelas mães de todo o mundo
(Revda. Lilian Conceição da Silva, departamento de comunicação e publicações do CEA)
Litanista: que a Ruah (conhecida popularmente como Deus), Mãe que a todas e a todos gerou, sopre sua graça sobre todas as pessoas que vivem a maternagem como diaconia. Rogamos!
Responso: ouve-nos, Querida Ruah!
Litanista: em meio ao caos universal, teu sopro divino gerou vida e pariu o mundo do qual somos parte. Louvamos-te, Ruah!
Responso: ouve-nos, Querida Ruah!
Litanista: desde a antiga Grécia, celebrava-se a chegada da primavera saudando Rhea (Cibele), mãe dos deuses e das deusas. Seria um outro jeito de te chamar?!
Responso: ouve-nos, Querida Ruah!
Na noite chuvosa do dia 11 de abril, quarenta pessoas de várias tradições religiosas (cristãs batistas, anglicanas, católicas romanas, luteranas e presbiterianas), budistas, candomblecistas, umbandistas, espíritas e sem religião, participaram do Colóquio sobre laicidade do estado e a importância de ações articuladas de promoção de respeito à diversidade religiosa. A mesa contou com a participação de especialistas sobre o tema (Sônia Mota, IPU e CESE; Reginaldo Silva, Aliança de Batistas do Brasil; Joanildo Burity, Diocese Anglicana do Recife; Romi Bencke, IECLB e CONIC; coordenada por Valdenice José Raimundo, batista e pró-reitora de pesquisa da UNICAP), que compartilharam seus saberes e suas experiências.
De 12 a 17 de março, ativistas de várias partes do mundo, reuniram-se em Salvador, na 13ª edição do Fórum Social Mundial. Estive presente representando o Centro de Estudos Anglicanos (CEA). No dia 14 de março, coordenei o painel temático “Desafios Afro-Americanos na Luta de Resistência ao Colonialismo”. Dia intenso, de partilha de experiências e perspectivas negras que me encheram de esperança. No dia seguinte, surpreendo-me com a notícia da execução de Marielle Franco, ativista negra lésbica e feminista, e ao ver sua foto logo pensei: podia ser eu. Foi uma de nós!